Fiscal e Reforma Tributária

TES sem parte fiscal: como migrar para o Configurador de Tributos

ICMS e IPI saem da TES a partir da 12.1.2610, e a migração para o FISA170 pede método para não parar o faturamento

WIP Solutions6 min de leitura

Em poucas linhas: a TOTVS comunicou no TDN que os campos de escrituração fiscal da TES (MATA080, tabela SF4) serão descontinuados a partir da 12.1.2610, ou da 12.1.2510 para novos clientes. Cálculo e escrituração passam a ser configurados no Configurador de Tributos (FISA170), com migração completa das operações fiscais planejada até 2027. A TES continua, mas só para integrar os módulos.

Durante anos, a TES decidiu ao mesmo tempo se a nota gerava duplicata, se mexia no estoque e como ICMS e IPI seriam calculados. Essa última parte está saindo. Veja o que a documentação TOTVS informa e como migrar sem colocar o faturamento em risco.

O que a TOTVS anunciou para a TES?

O aviso aparece em páginas fiscais do TDN: os campos de escrituração fiscal saem do cadastro de Tipos de Entrada e Saída a partir da 12.1.2610 (12.1.2510 para novos clientes), e a TES se torna um cadastro dedicado à integração entre os módulos do Backoffice. As configurações de cálculo e escrituração devem ocorrer no FISA170, em Livros Fiscais > Atualizações > Facilitadores.

A Central de Atendimento complementa: o planejamento prevê a migração completa das operações fiscais para o Configurador até 2027.

Quais campos ficam na TES?

A TOTVS publicou a lista dos campos que permanecem. O TDN marca a página como documentação em construção e avisa que ela pode mudar.

Grupo Exemplos de campos que permanecem Para que servem
Identificação F4_CODIGO, F4_TIPO, F4_CF, F4_FINALID Código, tipo, CFOP e finalidade
Estoque e custo F4_ESTOQUE, F4_PODER3, F4_UPRC, F4_DEVZERO Movimento físico, poder de terceiros e custo
Financeiro F4_DUPLIC, F4_PAGCOM, F4_CODPAG Duplicata e comissão
Ativo e CIAP F4_ATUATF, F4_CIAP, F4_BENSATF Integração com o Ativo Fixo
PIS/COFINS F4_PISCOF, F4_PISCRED, F4_CSTPIS, F4_CSTCOF Cálculo, crédito e CST

O que não está na lista, como os campos de livro fiscal de ICMS e IPI, é o que precisa ser reconstruído em regras do Configurador.

Por que ICMS e IPI pedem atenção primeiro?

Segundo as perguntas e respostas do TDN, quando um tributo legado como o ICMS é configurado no FISA170 e também está na TES, o Configurador sobrescreve a configuração do legado no cálculo e na escrituração. O CST gravado vem do Configurador quando há uma Regra de Escrituração vinculada à regra de cálculo; sem ela, continua vindo da TES.

Um cuidado muda o desenho do projeto: se um tributo entra na base de outro, todos os envolvidos precisam estar no Configurador. O exemplo da TOTVS é o ICMS abatido da base de PIS e COFINS; deixar um no Configurador e o outro no legado gera inconsistência.

E o PIS/COFINS?

Os campos de PIS/COFINS aparecem na lista dos que permanecem na TES. Ao mesmo tempo, o TDN descreve o Desligamento Automático de PIS/COFINS: uma trava, controlada pelo parâmetro MV_DESPICO, que impede o cálculo para operações a partir de 01/01/2027. Segundo a página, a função está em testes integrados, com publicação prevista até 30/11/2026 pela expedição contínua do Fiscal.

Se o PIS/COFINS for calculado pelo Configurador, vale a data final de vigência da regra. Na prática, a decisão sobre PIS/COFINS depende de como ICMS e IPI forem migrados.

Como testar sem parar o faturamento?

A partir da 12.1.2510, as regras de cálculo têm um status: Em teste ou Aprovada. Regra em teste não afeta as operações fiscais e pode ser validada em simulação. Uma regra aprovada não volta para teste, e regras encadeadas, como um ICMS que usa o IPI na base, precisam ser aprovadas juntas.

O TDN descreve dois simuladores no Gestor de Tributos. O Simulador de Operação monta uma operação e diagnostica por que uma regra não enquadrou. O Simulador Comparativo pega uma nota já lançada e compara o que foi gravado com o que as regras calculariam, inclusive CST e valores de escrituração. A TOTVS informa que essa primeira versão cobre operações simples de entrada e saída; devolução, beneficiamento e complementos pedem teste em homologação.

Para o volume de cadastro, os facilitadores dos perfis fazem inclusões e exclusões em lote por filtro.

E para quem usa o DMS?

A expedição contínua própria do DMS (o Pacote Acumulado DMS) integrou o cálculo de impostos de Veículos, Oficina e Peças ao FISA170, com publicações entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Em fevereiro de 2026, entrou o Tipo de Operação na integração com o faturamento do Backoffice (MATA410 e MATA103). Como o perfil de operação do Configurador aceita Tipo de Operação além do CFOP, balcão de peças, fechamento de OS e nota de veículo entram no mesmo inventário de regras.

Lista de verificação para a migração

  1. Levantar as TES em uso e separar o que é integração do que é cálculo e escrituração.
  2. Mapear dependências entre tributos, como ICMS na base de PIS/COFINS ou IPI na base do ICMS.
  3. Desenhar perfis de produto, participante, operação e origem e destino.
  4. Criar as regras com status Em teste.
  5. Comparar notas reais no Simulador Comparativo e corrigir divergências.
  6. Testar em homologação devoluções, beneficiamento e complementos.
  7. Aprovar as regras encadeadas em conjunto e acompanhar a primeira apuração.
  8. Incluir os fluxos do DMS que passam por MATA410 e MATA103.

Perguntas frequentes

A TES vai deixar de existir?

Não. Ela continua como cadastro de integração, com campos de estoque, financeiro, ativo e CFOP, entre outros.

Posso migrar só o ICMS agora?

É possível configurar só parte dos tributos, mas a TOTVS alerta que os que ficam no legado não podem depender dos calculados no Configurador para deduções ou adições.

Uma regra nova já vale na nota?

Só depois de aprovada. Enquanto estiver em teste, ela serve à simulação.

Para levar desta leitura

  • A parte fiscal da TES sai a partir da 12.1.2610, ou da 12.1.2510 para novos clientes.
  • ICMS e IPI precisam ser reconstruídos em regras do FISA170, olhando as dependências.
  • Status de regra e simuladores permitem testar sem afetar o faturamento.
  • No DMS, Veículos, Oficina e Peças já estão integrados ao Configurador e entram no mesmo projeto.

Como a WIP Solutions pode ajudar

Migrar a parte fiscal da TES é um projeto de levantamento, desenho de regras e homologação, e não uma troca de cadastro. A WIP Solutions, Prestador de Serviços Homologado TOTVS, apoia empresas que usam o Protheus no Backoffice e no DMS a mapear as TES, montar perfis e regras no Configurador de Tributos e validar tudo antes de aprovar. Se você quer planejar essa transição com segurança, fale com nosso time.

Fontes

  1. TDN – PEICMS - Cálculo de ICMS considerando Custo da última Aquisição - Ramo Auto Peças
  2. Central de Atendimento TOTVS – FISA170 - Campos da TES irá permanecer com a implantação do Configurador de Tributos
  3. TDN – CFGTRIB - Campos que Permanecem no TES (documentação em construção)
  4. Central de Atendimento TOTVS – FISA170 - Os recursos do Configurador de Tributos estão disponíveis em quais versões do Protheus
  5. TDN – CFGTRIB - Configurador de Tributos
  6. TDN – CFGTRIB - Perguntas e Respostas - Configurador de Tributos
  7. Central de Atendimento TOTVS – FISA170 - Como configurar as regras dos impostos quando um imposto influencia o cálculo de outro
  8. TDN – CFGTRIB - Desligamento Automático de PIS/COFINS
  9. TDN – CFGTRIB - Mecanismo de aprovação de regra
  10. TDN – CFGTRIB - Simulador Comparativo
  11. TDN – CFGTRIB - Simulador de Operação
  12. TDN – CFGTRIB - Configurador de Tributos - P12
  13. TDN – Expedição Contínua - DMS
  14. TDN – DVARMIL-6767 DT - Adequação de processos de Cálculo de Impostos no Módulo de Veículos (SIGAVEI) utilizando o Configurador de Tributos (FISA170)
  15. TDN – DVARMIL-6821 DT - Adequação de processos de Cálculo de Impostos nos Módulos de Oficina (SIGAOFI) e Peças (SIGAPEC) utilizando o Configurador de Tributos (FISA170)

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